Last update on: February 4, 2020
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Veio muito desespero pela fama Que terminou com artista lá na lama Só mantive o foco, não me troco, sempre toco

Me convoco, te desloco do meu bloco com meu voto Tu já sabe que não cabe carochinha na verdade Trabalhado na vaidade, na humildade Aê, troca o beat pra mim Filma, só pensa antes de postar Os inimigos tão no alto preparado pra atirar Pra contar um a menos, pra mostrar que não temos Liberdade pra circular no lugar que nascemos Eles nos matam e isso é real Rasgado de fuzil, sangrando como um animal No abate, por isso trabalhamos no resgate Pra mostrar pra juventude que o crime não compensa Você dispensa, faz o contrário, desconstrói Cartucheira de bandido nunca vai virar herói, playboy Se quiser brigar, que brigue Mas aprendemos muito com a morte do 2Pac e Biggie Na melodia melancólica do violino O tempo mostra quem virou sujeito e quem ficou menino Independente do nome que vai ficar na roda Ninguém é obrigado a dizer que tudo é foda Moda é bom quando tá na subida Traz status, mas ninguém vai te dizer Sua letra salvou minha vida Cada degrau uma poesia, um de cada vez Poetas no Topo, parte 3.3 Han, han Rap corre na veia Sangue, fundamento dos antigos à disposição dos novos Sorte do início à morte Me abraça a um passo do precipício A porta do inferno é a dois passos daqui Seu discurso é raso, tem prazo de validade Quem ganha são eles com a nossa rivalidade Quantos da minha cidade não chegaram na minha idade? Quantos jovens pobres morrem salvos da brutalidade? Menor, te dar meu papo no particular Eu tô alimentando os sonhos pra continuar Quem vai te segurar quando tu se curar? Do sexto andar ouço demônios dizendo pra eu me jogar Deus e o Diabo apostando a sorte no dado Um diz que eu sou merecedor e o outro ri dos meus pecados Quarenta dias depois de quarenta pílulas Não sei se minha ida ainda é bem vinda do outro lado Parei um tempo, até vencer a depressão Expandi minha percepção, essa porra é uma maldição, pô Quem tá na merda quer te arrastar pra lá E o que as pessoas te desejam é uma parte do que elas são, convicção Com 16 larguei o estudo Troquei tudo pelo estúdio, quando eu vi já era adulto Em alguns meses tenho um filho pra ensinar sobre esse mundo E ser pra ele o que eu não tive, hoje é o que eu mais me preocupo Foda-se seu pensamento bobo De hype, de moda, de 10k na roupa Minha missão na rua não se apaga Eu sou ouvido pelas paty e pelos cria da boca Ainda sou o mesmo do freestyle Com novas ambições nessa minha mente louca Se você não entende qual meu jogo Aguarde o próximo capítulo antes de tu ir pra forca Poetas vão pra forca Os poetas vão pra forca Queimem as igrejas Os poetas vão pra forca Em meio a multidões eu vejo o cerco se fechar Alguns anos atrás os negros conheceram a grana Jogador ou artista, escolhe o que pode virar Terra sem terra, eu só vejo os playboy falando sobre a grama E eu não me vi falando sobre joias Escutando lição de um arrombado que compra pele de cobra Como você se sente quando acorda? Eu sei que muita coisa, por isso não pode estar no meu lugar Tudo isso é falso como as rimas desses cara Que te vendem a falsa receita de como tá aqui Nunca foi brincadeira, é uma escolha Só eu lembro dessa bolha aos 15 anos maquinando em não cair O problema é MC preocupado com outro MC Gritando: Quem é real, né? Falsos profetas, não passa em branco Pedófilo, agressor de mulher (pau no cu) Foda-se suas rima tudo e seu público chato, mano Eu sou favela pra caralho e cê já sabe qual é Vi o sistema de perto afundando a quebrada e matando o problema Antes mesmo deles saber que é Playboy viciado é doença sem escolha Favelado na boca é doença sem cura Cortar o mal pela raiz é operação fronteira Nossa morte é só álibi pra esses filha da puta Fazer o verso do ano que vale um milhão de dólares Ou o verso mais sincero pra salvar um milhão de vida? Será que eu tô aqui pelo mesmo corre da praça, ô desgraça? Só tô pagando o preço da minha vida Eu quero tudo, essa é minha fome de tudo Cara, cê não vai salvar o mundo Não consegue nem salvar seu mundo Quanto mais eu me ajudo essa porra só me afundo Eu achava que trocaram meu lugar Mas essa é a visão que me fizeram criar Rappers endeusando seus egos Todos seus ídolos são cegos, todos seus ídolos são cegos Todos seus ídolos são cegos Abra os olhos, nem tudo aqui é real Nem vilão nem herói, traficante ou policial E se eu vejo sangue no chão, saca, a maioria é da minha cor Chapa, eu tô queimando páginas Meu progresso é o divisor entre suor e lágrimas, sem lástimas, ay Eu lembro cinco anos atrás Quando ser do rap era relacionado à desaprovação dos pais E nossas lutas eram rodas culturais Quem perde menos nunca aprende mais Hype é maneiro, topo é realização Mas quem foi base não se esquece de onde veio Irmão, cês tão brigando pra ver quem é mais idiota, sério? Cês tão achando lindo ser feio? Membro de gangue sustentado pelos pais Não viu o amigo morrer, então não sabe qual que é o peso De ficar falando merda e ostentando que é bandido e o mic preso Meça, o bandidão não sai ileso Não vi Hitler, vi Witzel com o fuzil Matando crianças a sangue frio E dizem que o militarismo é o futuro do Brasil (serião?) Enquanto a favela chora o sangue no asfalto A direita comemora o sangue no mandato A esquerda vê Lula livre e esquece o genocídio Eu cuspo nesse prato Acima, se aproxima dos milhões de tiros e faz um vídeo Única ação possível de fã de Político é encher o saco, isso é previsível Meu sinal de gangue aqui é o sinal da cruz, aqui jaz Meu melhor refrão é minha testa escrito paz Meu maior salário é o sorriso das crianças É entender que hoje em dia eu não me arrisco e ganho mais, ah Eu digo sem medo Até meu estado já virou as costas pra mim, eu tô aqui Eu era o homem da casa antes de sair Por aí e ser obrigado a sorrir, odeio mentir Pra hater minha resposta é caminhada Homem é ruim, mas emociona e não dá em nada Lembra que a minha mãe teve a responsa de me criar calada Mesmo com a minha cabeça de vento eu vim cuspindo fogo Andando por cima das água igual barco novo Coração de pedra, avatar dominador do jogo Vaia não me parou, tô firme Frustração não levou meu brilho Não precisei pagar de crime Minha caminhada eu mesmo trilho Sem confusão, tretinha boba Sem agredir ninguém, difamei ninguém Voz de frustração que se foda Vou julgar ninguém, já fui assim também, ah Meu recadin pros falador nos meus dias de hoje Olha onde meu sonho me trouxe Beat é do Jogzz, cabeçada do Zidane 120 rima no meu nome, poetisa 2017, meu nome de Pisa a Ibiza É sobre ter meu nome lembrado na minha divisa Não tem quem dome, derrubando o mundo igual Maísa Força matriz e maciça, necessária e precisa Vitória pras minha, palavra de profetisa Genocídio trazido de caravela Mesma cara velha responsável por nossa chave e sequela A história gira e o que gera são tragédia Praga de Idade Média, Bolsonaro e Marcelo Crivella Cristo branco em novela não revela Os Messias assassinado em aldeia e favela Nas mazelas minhas linhas, dores, ilhas Quase me afoguei, em linhas me apeguei, me afaguei Meu caminho até aqui, só eu sei o que trilhei Espinho ou fruto colhido vem do que plantei Fui minha agressora em tempos de repressão Minha própria assassina em tempos de depressão Minhas melhores rimas sempre vêm sob pressão Em cada linha rezo, meu verso minhas preces são Eu quero o mundo, não ser Mulher Maravilha Sou terra, mulher muralha, merecemos tudo, não migalhas Mulheres navalhas protegida por Marias Ancestrais e guias me protegem na minha batalha Minha presença única aqui é óbvia e fala O quanto nossa cena ainda permanece fálica O quanto a nossa escrita é necessária e bélica Nossa caneta é fonte de alimento pra mim, famélica Vivemos doentes e rejeitando a cura Religioso que pede e aplaude ditadura Lobo levando ovelha pra sua própria sepultura Razão amarrada, vivendo sob tortura Onde o fato vira ponto de vista pra eles Fala fascista vira verdade pura Obsessão racista e classista de fazer limpeza Sonhando com ideia genocida de uma raça pura Respeito ao povo da terra, força originária É resistência em guerra, sobrevivência diária Chacinas de Candelária, chacinas diárias Não permitem descanso, pra frente e não tem quem nos para De proteção tô cheia, sem ideia exilada De renegada a requisitada, joia rara A braba tem nome, de rima vem equipada Justiça a Paraisópolis, povo Guajajara Nossa luz brilha bem mais no caos Mas é tão fácil se deixar levar Nossa luz brilha bem mais no caos Mas eu não vou me deixar levar O que faz mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da sua boca Justifica dizendo que a vida é louca, tá de touca Só porque eu tava com a minha touca Os PM achou mesmo que eu ia roubar alguém Eles não sabem de nada, pior que nós também não Tomei café pela manhã, já que nós acorda cedão Esquece o conselho e faz uma oração Eles querem ver desespero, então não se desespere Rap em busca de mudança antes que o inferno congele Polícia invade baile na maldade Racismo na cara larga e a burguesia aplaude Pisoteamento é o caralho, os porco mataram os moleque Os robô elegendo o presidente foi tudo uma fraude Quem acredita em tudo, na real não crê em nada Ganância na ambição, então puxa o pino da granada Façam pela sua família, faça pelo seu futuro Faça por quem te ama, faça pela sua quebrada Façam pela sua família, faça pelo seu futuro Faça por quem te ama, faça pela sua O quanto que eles fala, irmão, não dá pra confiar Se é madame, eles troca até o pneu Se é pobre ou preto, polícia oprime Política não é Brasileirão Mas tem pau no cu alienado escolhendo time O quanto que eles fala, irmão, não dá pra confiar Não dá pra confiar O quanto que eles fala, irmão, não dá pra confiar Não dá pra confiar Não dá pra confiar em ninguém, ninguém Não dá pra confiar em ninguém, ninguém Ah, eu não entendo sobre notas musicais Mas sei que lá os menor não dão ré e os cana não tem dó Saber que temporais são temporários É o que me faz desistir de desistir Eu conheço vários poetas que não tão no topo Assim como os que tão no topo e não têm nada de poeta E posso te afirmar que uma parte dessa cena são playboys Lucrando com as dores da favela E vocês na disputa de quem é mais bandido Eu lembro dos que tão privado tentando provar que não era envolvido Quantos foram abatidos e não eram envolvidos Enquanto vocês na internet tão falando, eles atiram Faço com que os moleque da área entenda Que nossos pulsos são feitos pra pulseiras, relógios e não algemas Eu faço com que esses moleque entenda Que mesmo vindo da baixada pode chegar ao topo da cena Cresceu comigo, porém, ao me ver crescer Ao invés de ter orgulho, teve inveja, que pena Problema da tua inveja não é querer o que eu tenho E sim, porque não tem, querer que eu também não tenha Olho no olho eu percebo quem é real Vagabundo sempre passa mal, eu sou atemporal Por isso que pra rimar do topo eu Tive que descer alguns degraus, porra Cê sempre teve, por isso não dá valor Pra quem tem fome, pouco importa se é o pão que o diabo amassou Quantos buscando novas etiquetas? Acabam com uma no pé, só que dentro de uma gaveta Quantos na busca de um banhado não tomam banho do próprio sangue? Pouco importa se quem morre é gente preta Eu jogo no ventilador e no bigode É por isso que os playboy que diz que Faz rap pra não pegar em arma me odeia Tava eu gritando cada vez mais alto Me esguelando, mas parece que o cara é surdo Eu pensei essa merda em algum momento em que eu perdi as esperanças Espero que não tenha levado como insulto E eu não fiz o impossível parecer fácil Mas eu fiz o impossível se tornar possível Quem vinha de onde eu venho não acreditava nem em seus próprios sonhos Eu trouxe perspectivas, cê não acha isso incrível? Pega a visão Hey Yeah, Projota Uh, uh, vem Ei, não se envolve, desenvolve Nesse jogo aqui ninguém vem pra salvar ninguém Já tive por baixo, hoje eu tô por cima E se é pra fuder com a vida, então eu fodo bem Não é contato, filho; não é contato, filho Quer arranjar desculpa porque eu tô me dando bem Mano, faz seu corre; mano, faz seu corre Quando cê tiver por cima vão falar também Roni disse assim: Fica ligeiro com a rua Tem uns cara que quer sua vida na rua Tem uns cara que morre de inveja da sua É porque eles não me viram quando Eu tava no enquadro na Princesa Isabel Só de chinelo, indo pra Olido com Marquinhos e o Michel Com uma cromada na minha nuca e o pensamento de que: Agora fudeu! Deixa meus manos seguir; se for pra cair, seja eu Ou quando três amigo preto e um branco só de rolê pela noite Botem a mão na cabeça, rápido; eu botei Tira o Danilo de lado que era loiro de olho claro E diz que ele foi sequestrado e que eu que sequestrei Aprendi que isso é assim desde menino Sempre ser parado é tipo o meu destino Porque um preto de chinelo tá roubando E um preto de BM já roubou e tá curtindo, né? Tu tem que treinar pra tentar, Pra trocar, pra trucar, pra vim testar a fé Curumim tem que ver, tem que olhar, pra crescer, engordar até ser pajé Cês vêm de cheat code, eu vou de beast mode Nesse beat gold, old but shit, nesta trip old No apetite hoje, morro como VIP, vou de VIP, como Rick e Morty E meu foguete nunca dar a ré Me chame Coach Carter, eu sou o Romário na área esperando o passe É, sou Pink Floyd tocando, sou cada disco girando Sou cada aluno botando fogo na classe Esse seu flow mascarado veio da ANBU Esse flow alien que eu trouxe veio de Marte Antes de soltar esse som eu liguei pro SAMU Pra avisar que hoje vai ter recorde de enfartes Passa o controle que eu passo pr'ocê essa fase Passa o controle que eu passo pr'ocê essa fase Você não manja do game, vocês são todos decemes São very easy no game, sou very hard Sua vivência de rua, me diga: Cadê? Cês tem na mão o que a gente que lutou pra ter Vou amassar o seu ego, botar num prato Misturo quinze minutos e, pronto, já tenho um patê E se eu largasse a vida que eu tinha E entrasse com tudo na roda de free? E se no fundo a vida que eu tinha sempre tenha sido uma roda de free? E se eu juntasse um milhão de folhinhas Na praça e gritasse até o mundo me ouvir? Rimasse, rimasse, rimasse, rimasse, Rimasse até que eu virasse o Cesar MC? (Existem alguns segredos no fundo do poço) Ah, uma missão, papel, caneta e uma madrugada Desculpa, eu não posso falar que o baile tá uma uva Os meus irmão querem ser livre pra sonhar na estrada Mas quantas vezes esses sonhos se vão numa curva? Ultimamente eu escrevo só na madrugada Onde os sussurros do silêncio vêm me auxiliar Os barulhos de tiro não deixam eu dormir Me lembram que eu não posso errar Se você não me conhece, eu vim de lá Onde eles nos querem invisíveis Tratam nossos sonhos como descartáveis Mas ainda tenho fome do impossível Foi ali, numa praça vazia Na lama, sem grana, sem hype, eu confesso As pegadas da rua ninguém apaga Fiz mais história da praça que o próprio Carlos Alberto Só que ainda somos água no deserto Tá osso, tá osso, tá osso, tá osso Convocado pra rimar no topo Mas essa escrevi lá no fundo do poço Jesus, o mundo prega seu oposto e ainda dizem: Amém O Deus que eu conheço nunca deu Risada das frases de ódio dos homens de bem Mano, é tanta coisa pra desabafar Sistema faz de tudo pra me exterminar As fardas disparam tiro de uma HK E a favela ainda chora, somos Ágatha Cesar, você tá no Poetas no Topo, então escreva algo que faça sentido Cesar, você tá no Poetas no Topo É hora de mostrar o porquê de ter nascido É sério, Cesar Você tá no Poetas no Topo, cadê aquele verso forte e agressivo? Me diz como um favelado vai sonhar Com o topo se a missão cotidiana é ainda ficar vivo? Certo, então tá Chama (Pé no chão, mas vejo o topo daqui) (Sem esquecer quem eu sou) Kamau (Sem esquecer quem eu sou) Então, dizem que o Olimpo é no andar de baixo Me procuraram, sei bem onde eu tô, não me acho De onde a raiz busca alimento, fundamento A mente almeja além, faísca ascende um novo facho Luz, câmera, ação, doc, não blockbuster Mente de hustler, Rick Chester ou Ice T Sair das esquinas para ver o mundo e Fazer um mundo nosso, num roteiro pra Spike Lee Pretos na direção, fazendo a coisa certa Mentes fechadas não enxergam as portas abertas A horda cega segue o vento a este bordo Eu não concordo e sigo deste modo Com os meus estimados, mas Sabendo bem quem é, quem não, quem tá E quem só vai querer colar no bem e bom Observo, preservo-me de olhares enviesado Tô que nem Slim, Mokado, mosaico focado Sem riso forçado, no entorno o estado é de calamidade Cala na bala quem pôs cara pra falar verdade Máscaras caíram e cairão Neste safári, se o bicho pegar, brincar irão? Creio que não, feio ver quem não enxerga fatos Faz o Pilatos por quem peca na fala e nos atos Arrepender-se-ão Não vim pra dar sermão, mas sei bem que não desço em vão Deuses É, mas você não bota uma fé Mas você não bota uma fé Mas você não bota uma fé Se perguntarem se vou fazer história, deixo eles contarem (Pra que alguns se sentissem no topo, alguém tinha que ser fundamento) (Pra que alguns se sentissem no topo, alguém tinha que ser fundamento) (Pra que alguns se sentissem no topo, alguém tinha que ser fundamento) (Pra que alguns se sentissem no topo, alguém tinha que ser fundamento) (Pra que alguns se sentissem no topo, alguém tinha que ser fundamento) (Então, foi)

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